Preço dos serviços mostram forte alta
Preço dos serviços mostram forte alta
Quando se fala em inflação, a associação é imediata: ficou mais caro o quilo da carne ou do tomate no supermercado. A alimentação é a grande responsável pela inflação brasileira. Mas os preços dos serviços sobem mais rápido que os de produtos físicos, bens de consumo. Ou seja, a disparada de preços é no ingresso do show, no salão de beleza e até no chopinho do happy hour. A auto escola, por exemplo, subiu mais que o dobro da inflação geral.
As pesquisas estão aí para comprovar o que o consumidor já percebe na prática. Flávia Castanheiro, procuradora da Prefeitura do Recife, costuma sair uma ou duas vezes por semana com as amigas para restaurantes ou para a desfrutar da dupla chope e conversa. Cada uma tem uma observação sobre um serviço diferente que ficou mais caro.
“Temos o hábito de ir não só a barzinhos, mas também a restaurantes. E está tudo mais caro. Não é só a comida, como a bebida também. Até entradas para uma balada, que antes custavam R$ 20, hoje saem por R$ 40”, comenta Flávia.“Muita gente tem promovido festas all inclusive [pacote fechado de show, bebidas e comida]. Acho que é para compensar, para conseguir atrair mais público”, emenda a bancária Ana Gilda Mendes, uma das amigas do grupo de Flávia.
A inflação medida pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Índice de Preços ao Consumidor (IPC), subiu 7,1% nos últimos 12 meses. Mas os serviços estão descolados dessa média. E, item por item, apresentam sempre reajustes maiores.A auto escola, que na pesquisa da FGV aparece como aula de direção de automóvel, subiu 16,9%, um resultado equivalente a duas vezes e meia a inflação geral. “Se o Brasil vendeu muito carro, também aumentou bastante a quantidade de pessoas querendo tirar a habilitação”, observa André Braz, economista da Getúlio Vargas.
O chope de Flávia e suas amigas foi o segundo serviço com maior aumento, uma subida de 13,16%. Mas a lista dos preços que sobem mais que a média é longa. Tentar a sorte para ficar milionário, nos jogos lotéricos, aumentou 12,3%.Essas altas são generalizadas, com números nacionais. Embora haja dados especificamente do Recife e que seja possível a comparação diretamente entre as capitais de cada segmento, como oficina mecânica ou barbeiro, o economista da FGV diz que haveria distorções na comparação pelas diferenças regionais.
“A gente poderia abrir os números pelas capitais pesquisadas pela FGV. Daria alguma diferença entre São Paulo e Recife no uso de lava-jato, só como exemplo, mas não seria tão expressiva no geral. O motivo é que a pressão é a mesma em todo o Brasil. A demanda está muito alta, de um lado, e do outro os custos aumentaram”, continua André.
“É só pensar no salão de beleza, que aumentou 8,79%. Que as mulheres não nos ouçam, mas não é um item tão essencial. Pintar as unhas em um salão é conforto e agilidade. Quando a economia não está tão boa, essa procura cai. Mas a renda subiu e a demanda hoje é alta. Do ponto de vista da empresa, é uma atividade com muita mão de obra, a folha de pagamentos pesa muito no custo. Se tem havido aumento real da renda, a folha fica mais cara. O resultado é subida de preços”, complementa o economista da FGV.
Quando se observam os dados da capital pernambucana por grupos, o destaque fica para educação e recreação, ao lado de saúde e cuidados pessoais. Mas transportes, em alta no Brasil todo, no Recife tem crescido abaixo da média. Mesmo assim, como nas outras capitais, o total dos serviços foi que alavancou os preços recifenses.
Jorge Jatobá, economista da consultoria Ceplan, vem acompanhando a subida do setor de serviços. “A subida do dólar é recente. Então, o que fez os serviços subirem mais que a média é que eles não têm concorrência dos importados. São bens não comercializáveis”, explica Jatobá.Assim, detalha o economista da Ceplan, quando um produto é importado, ele concorre com um artigo similar produzido no Brasil. A concorrência é o que segura os preços. “Mas quando alguém vai cortar o cabelo, isso não existe. A prestação de serviços pessoais não tem concorrência internacional”, completa Jorge Jatobá.
A subida do salário mínimo tem uma relevância muito maior nessa área. “É o que aumenta o salário da manicure do salão de beleza”, ilustra Jatobá, por coincidência usando o mesmo exemplo do economista da FGV.E se lidar com tanto aumento de preços der aquele estresse, sai mais barato desencanar em casa. É que a consulta com um psicólogo ficou 10,17% mais cara.
Fonte: site do Jornal de Commercio, Economia


