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Clipping Fecomércio-PE
Crédito além da conta
Crédito além da conta
Famílias brasileiras têm em média 4,5 contratos de crédito e nove pendências financeiras, diz BC
O brasileiro está pendurado em dívidas. Levantamento do Banco Central (BC) mostra que as famílias têm em média 4,5 contratos de crédito e no máximo 9 pendências financeiras. São dívidas com cartão de crédito, cheque especial, empréstimos, financiamentos, carnês de lojas e outras modalidades de crédito fácil. Tem mais. Os dados revelam o alto grau de endividamento das pessoas, que passou de 25% em 2006 para 41% em 2011. Termômetro que poderá frear o consumo no fim do ano quando o comércio varejista aposta todas as fichas nas vendas natalinas.
O problema são as dívidas contratadas inconscientemente. Minam a saúde financeira das famílias. O consultor financeiro Reinaldo Domingos, presidente do Instituto DSOP de Educação Financeira, alerta para o acúmulo de prestações que comprometem o orçamento das pessoas a longo prazo. “O problema são as dívidas sem valor. As pessoas viajam parcelado, compram material escolar parcelado, pagam o IPVA e o IPTU em várias vezes. Acabam no endividamento silencioso, que não mostra a cara”, aponta.
Com as festas de fim de ano batendo à porta, chega a febre do consumo. Domingos recomenda cautela antes de contratar novas dívidas. O primeiro passo é fazer um diagnóstico de todos os contratos de dívidas e observar se consegue pagar com o que ganha. Se tiver dificuldade, a saída é procurar os credores, confessar que não pode pagar e renegociar o contrato. Mas fica um alerta: só fala acordo se tiver a certeza que poderá o honrar o compromisso com o credor. Ou arrisque o nome nas listas negativas de crédito.
Para o consultor econômico da Fecomércio-PE, José Fernandes de Menezes, é claro que o endividamento implica em redução do consumo porque as pessoas ficam menos receptivas às compras. Psicologicamente, quem está endividado evitar as compras. Além disso, a economia brasileira deverá crescer menos este ano comparado ao ano passado. Pelas últimas previsões do BC, o Produtor Interno Bruto (PIB) do país deverá fechar este ano com taxa de 3% contra 7,5% em 2010.
Fernandes lembra que o problema é o tipo de endividamento do brasileiro. Ele cita como um dos meios mais nocivos de crédito o empréstimo consignado usado para comprar bens correntes de baixo valor. Em segundo lugar está o cartão de crédito, especialmente quando as pessoas compram alimentos e rolam a dívida para o mês seguinte, porque incide juros mais altos que ultrapassam 12% ao mês.
Mesmo com o alto endividamento das famílias, Menezes está otimista. As projeções da Fecomércio-PE apontam para o crescimento entre 5% e 6% das vendas no varejo em comparação a 2010 na Região Metropolitana do Recife.
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