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A corrida do ouro na informática
A corrida do ouro na informática
Carlos Alberto Fernandes*
A curiosa existência de projetos na área da tecnologia da informação que, isoladamente, superam a casa de um bilhão, faz-nos crer ser imprescindível a prioridade do estado na análise dos custos/benefícios e no monitoramento desse tipo de empreendimento estratégico de governo. Afinal são recursos do povo que precisam agregar valor a sua aplicação.
Esta iniciativa é importante porque a maioria das empresas não sabe quanto gasta em tecnologia da informação e quanto poderia ser economizado com o uso adequado desses recursos. No governo não é diferente. Por mais que se fale em recursos escassos, também não se tem idéia do que se usa, nem tampouco do volume de recursos que se gasta neste importante segmento tecnológico.
A virtual descentralização coordenada, ainda não é capaz de avaliar o montante de dispêndios com a tecnologia, cujas aplicações deveriam se dirigir para o topo da pirâmide hierárquica das organizações e agregar valor estratégico. Mas, invariavelmente, andam a reboque daquilo que o mercado oferece. E, dada a velocidade dos avanços do conhecimento, o mercado sempre oferece aquilo que sabe pouco e o que não sabe também.
Hoje, qualquer vendedor de soluções de informática se arvora em ser cientista e oferece suas soluções como panacéia para todos os males. E os clientes, quase que por ignorância e falta de planejamento, são obrigados a adotar a solução de ocasião que se apresenta como salvadora.
Um outro agravante, é a manutenção do mito de que a iniciativa privada é sempre mais competente do que a pública. Todavia, na área de informática, os resultados de vários projetos desenvolvidos revelam que há controvérsias sobre esta questão.
Contudo, não se surpreenda se o governo tomar a iniciativa política de, por excesso de recursos e de esperteza, em algumas áreas oferecer, muito mais por pressão de fornecedores do que por necessidade concreta, novos tipos de equipamentos e recursos computacionais de utilização supérflua, a pretexto de facilitar a vida das pessoas.
Em realidade, o estado, apesar de já ter em seus quadros massa crítica, precisa potencializar o conhecimento desses recursos humanos para avaliar os caminhos estratégicos da tecnologia da informação. Caso contrário, poderá ser sempre atropelado por interesses privados, com ações nem sempre harmoniosas com os interesses públicos.
Por outro lado, está na hora dos centros de tecnologia de nossas universidades deixarem de oferecer somente soluções para balcões de negócios privados e voltarem a pesquisar alternativas tecnológicas sustentáveis para a sociedade como um todo, a exemplo de estudos sobre a utilização e segurança de “cloud computing” (computação de nuvem).
Ora, se Pernambuco é centro de excelência na área, porque não desenvolver pesquisas e formar equipes com conhecimento estratégico para descortinar novos caminhos tecnológicos. Assim, o Estado e o governo não deixariam de ser protagonistas principais, abdicando desse conhecimento para terceiros.
E mais, não adianta acreditar que a iniciativa privada seja onisciente, pois cabe ao Estado através de seus governos, formular estrategicamente os caminhos pelos quais deve pautar o seu caminhar, pois os seus interesses, diferentemente das organizações privadas, são essencialmente públicos.
Afinal, o governo tem tudo para empreender, sem idiossincrasias ou desvios, a política correta, pois tem quadros técnicos; e, na Assembléia, exibe uma jovem liderança política soft, ou softex, como certamente, deveria dizer um genial “nerd” local, da ciência e da tecnologia.
*Economista e professor da UFRPE
Fonte: Blog do Magno Martins (www.blogdomagno.com.br)
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