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Corte na Selic é reflexo da gestão
Corte na Selic é reflexo da gestão
Especialistas dizem que Governo Dilma tem foco no crescimento
A decisão do Banco Central (BC) de reduzir a taxa básica de juros, a Selic, de 12% para 11,5%, serviu para ratificar a ideia de uma “revolução” na política econômica nacional, promovida pelo governo de Dilma Rousseff. Após 12 anos e três mandatos - um de Fernando Henrique Cardoso e dois de Luiz Inácio Lula da Silva - a tríade constituída por “inflação, juros e crescimento do Produto Interno Bruto (PIB)” está invertida.
“Os governos de FHC e Lula possuíam regime de metas de inflação, era a prioridade. A taxa de juros era fixada e, no final, o crescimento do PIB era o que ‘dava para ser’. A partir de 31 de agosto, houve uma grande mudança nesse aspecto. O crescimento econômico ganhou uma importância maior”, explica o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Robson Gonçalves.
Em relação à expectativa para o fechamento do ano, o Comitê de Política de Política Monetária (Copom) deve cortar mais meio ponto percentual, chegando a 11%. “Se a prioridade é o crescimento econômico, essa decisão está certa. É a minha expectativa, mas não sei se seria a melhor decisão. A inflação está muito alta e isso não é bom”, diz Gonçalves.
“Essa é uma taxa referencial. Objetivo da medida é impulsionar a demanda, pois o juro alto atrai dinheiro de fora e o Real fica muito valorizado. O juro mais baixo faz com que as pessoas comprem mais”, explicou o consultor econômico do Centro de Pesquisa da Fecomércio-PE, José Fernandes, ressaltando que, apesar da redução, o Brasil continua com uma das maiores taxas de juros do mundo. E não são apenas os consumidores finais que tendem a gastar mais. “Os investidores, quando se deparam com juros mais altos, terminam não investindo nas suas empresas. Procuram outras soluções mais lucrativas”, afirma o professor de Economia da Faculdade Boa Viagem (FBV), Alexandre Jatobá.
Mesmo que essa decisão ajude o Brasil a se proteger da crise internacional, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), Luciano Coutinho, disse que as consequências não devem atingir o País. Para Jatobá, a decisão do Governo e a colocação de Coutinho não se contradizem: “a motivação maior do BC não é tentar escapar da crise. A economia brasileira não é tão aberta que sofra um abalo com problemas externos”. Diferente de Gonçalves, o professor da FBV acredita que uma nova redução só deva acontecer no próximo ano. “Eles devem esperar o efeito dessas primeiras reduções para ver como a inflação se comporta. Só então, na minha opinião, um novo decréscimo deve ser realizado”, concluiu.
Fonte: Folha de Pernambuco - Economia
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