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Clipping Fecomércio-PE
VAREJO: RESULTADOS E MUITOS DESAFIOS
VAREJO: RESULTADOS E MUITOS DESAFIOS
Os resultados do comércio varejista no primeiro semestre mostram a continuidade do ciclo de crescimento iniciado em 2004. As vendas e o emprego cresceram cerca de 5,5% em relação ao primeiro semestre do ano passado, com a massa salarial aumentando mais de 8%. Os números são da Região Metropolitana do Recife (RMR), pois os dados da Fecomércio-PE são os únicos disponíveis no momento.
Daqui a algumas semanas, quando o IBGE divulgar os dados nacionais, deveremos constatar que o bom desempenho não é privilégio nosso, embora o comércio de Pernambuco deva continuar crescendo mais que a média nacional. O varejo da RMR vem crescendo consistentemente acima da média do País devido principalmente ao fato de que o desempenho da economia do Estado, especialmente de sua área metropolitana, tem suplantado o nacional.
Mas o ciclo de crescimento do varejo é sem dúvida um fenômeno nacional. Em relação à boa performance do varejo, antecipada pelo índice da Fecomércio-PE da RMR, há dois pontos a destacar: 1) os resultados são comparados com aqueles do primeiro semestre de 2010, portanto uma base de comparação muito alta, que valoriza o resultado registrado, 2) o crescimento se dá em meio a uma política antiinflacionária calcada no aumento dos juros e nas restrições ao crédito.
Outro resultado antecipado pelo índice, que poderá se repetir em nível nacional, é o crescimento espalhado por quase todos os grandes segmentos – bens de consumo duráveis, semiduráveis, não duráveis, comércio automotivo e materiais de construção – e por quase todos os ramos que compõem esses segmentos. No ano passado, a despeito dos excelentes números do período, houve uma concentração dos bons resultados nos ramos que receberam algum tipo de incentivo: comércio automotivo, materiais de construção, informática e lojas de utilidades domésticas. No primeiro semestre deste ano, o destaque ficou com o comércio de móveis e decorações e a explicação para o desempenho diferenciado deve estar no grande aumento de novas residências.
Nem mesmo a crise internacional, que fez a economia brasileira interromper em 2009 um sólido ciclo de crescimento, foi capaz de conter o bom desempenho do comércio. As políticas de desoneração de alguns segmentos do varejo e a expansão do crédito viabilizaram a expansão das vendas em uma conjuntura caracterizada por grande incerteza. O comércio espera que, para refrear a inflação, a atual política de aumento de juros e restrição ao crédito não acabe por conter o crescimento do varejo, estancando um ciclo que ao final de 2011 deverá completar oito anos de crescimento ininterrupto.
Josias Silva de Albuquerque é presidente do Sistema Fecomércio-PE e vice-presidente administrativo da CNC
Fonte: Jornal do Commercio (Economia)
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