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Dólar baixo assusta empresas
Dólar baixo assusta empresas
CÂMBIO Iniciativa privada trata como real o risco de uma bolha no Brasil, com perdas para a indústria nacional e desestímulo à economia
O Brasil caiu na armadilha do câmbio. O dólar em queda no mundo inteiro mais os juros altos no combate à inflação brasileira estão atraindo especuladores internacionais e valorizando o real continuamente. Se é bom para o consumidor, do lado das empresas, mesmo aquelas que lucram de imediato temem os efeitos prolongados do dólar em baixa. Todos agora tratam como real o risco de uma bolha no Brasil.
Vinhos, queijos, cervejas, bacalhau e todos os tipos de importados ajudaram os atacadistas de Pernambuco a atingirem um crescimento acumulado de 10%, este ano. A alta já ocorre sobre um crescimento vigoroso em 2010, de 12%.
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“Para a gente, o dólar baixo facilita mais que atrapalha a curto prazo. Compramos barato e vendemos barato. Mas, no médio prazo, atrapalha a indústria nacional e desestimula a economia. E quanto menos crescimento, menor renda e menos vendas”, comenta o presidente da Associação Pernambucana de Atacadistas e Distribuidores (Aspa), Douglas Cintra. |
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Nas prateleiras do varejo, os ganhos não são para todos, alerta o consultor da Federação do Comércio de Pernambuco (Fecomércio), Luiz Kehrle. “A importação de tecidos, brinquedos, fica mais barata. Isso é verdade. Mas para outros segmentos não é. Fica mais caro para o turista vir para um hotel, consumir refeições, fazer deslocamento. Outra coisa é que a alta classe média vai ao exterior comprar. Vai para Miami fazer enxoval do bebê, por exemplo”, diz Kehrle.
De acordo com o Banco Central, o brasileiro deixou no exterior, no primeiro semestre, US$ 10 bilhões, um recorde, valor 44% maior que em 2010.
“Os EUA não são mais só destino de viagem, mas também de consumo”, atesta o diretor de Assuntos Internacionais da Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav Nacional), Leonel Rossi. Segundo ele, as vendas de pacotes internacionais já subiram de 10% a 15% no ano. Em 2010, 1,2 milhão de brasileiros foram aos Estados Unidos e este ano devem ser 1,5 milhão.
Hotéis e indústrias já sentem os efeitos
Enquanto os consumidores se esbanjam com importados mais baratos e compras diretas no exterior, indústria e hotelaria temem os danos do dólar baixo. Apesar da cobrança, empresários têm sido compreensivos com o governo federal. No Litoral Sul, o dólar baixo e a crise europeia já afastaram a maioria dos estrangeiros. O problema é que o real forte tem um segundo efeito negativo sobre a atividade: estimula os brasileiros a trocarem Porto de Galinhas por destinos internacionais, como Buenos Aires, Miami ou Cancún.
“No começo das férias, a expectativa do setor era muito ruim. Mas um fator que ajudou muito foi o vulcão do Chile. Com isso, a ocupação dos hotéis do Litoral Sul ficou em 80%”, afirma o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-PE), Eduardo Cavalcanti.
“O câmbio baixo sem dúvida, prejudica indústria e agricultura. É uma coisa difícil dizer o que o governo tem que fazer. Se o remédio fosse fácil, o governo já tinha resolvido”, diz Ricardo Essinger, vice-presidente da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe).
Nas exportações do Estado, que tiveram queda de 9,9% no primeiro semestre, metade da pauta é composta por açúcar, uma commoditty, com preço fixado em dólar e negociado em Bolsa de Valores.
Mas as importações cresceram 66%, deixando a balança comercial ainda mais deficitária em Pernambuco, um déficit de US$ 1,725 bilhão, mais que o dobro do mesmo período de 2010.
O perfil das grandes importações é favorável a poucas empresas no Estado. Os três primeiros colocados importaram muitos derivados de petróleo como matéria-prima. A Petrobras, líder, importou US$ 367,8 milhões, a segunda, a Mossi & Ghisolfi, com US$ 300,5 milhões, e a terceira, a Petroquímica Suape, US$ 180 milhões.
Fonte: Jornal do Commercio (Economia)
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