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CHINA É O 2º MAIOR BALCÃO DO ESTADO
CHINA É O 2º MAIOR BALCÃO DO ESTADO
COMÉRCIO País asiático era a quarta origem dos produtos importados por Pernambuco há três anos. Em 2011 pulou para a segunda colocação. Concorrência preocupa governo
O governo federal apela para a China fazer “restrição voluntária” de exportações para o Brasil, diante do estrago causado pelos produtos chineses à indústria nacional, que não sofre mais só com a concorrência de têxteis ou bugingangas. Em Pernambuco, a China era a quarta principal origem dos importados em 2009, virou a terceira em 2010 e segunda ano passado. De lá, vêm para o Estado de máquinas e equipamentos para construção a sofisticados aparelhos de medicina diagnóstica.
Na última segunda-feira, ocorreu um almoço da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível (Cosban), liderada pelo vice-presidente Michel Temer e pelo vice-primeiro-ministro chinês, Wang Qishang. Temer pediu a restrição voluntária, citando têxteis, calçados e eletroeletrônicos. Caso essas medidas não sejam adotadas, o Brasil adotaria salvaguardas, como sobretaxas temporárias.
Mas o apetite chinês é bem maior que nesses setores. Bem antes de 2011 o país asiático já era o segundo vendedor para o Brasil, com um crescimento médio maior que o dos Estados Unidos, primeiro colocado. Se manter o ritmo que vai, a China deve se tornar a principal origem dos importados pelo Brasil este ano.
Em Pernambuco, a China foi para o topo da lista ainda mais rapidamente. Até 2009, ela ficava atrás da Argentina, México e EUA, até hoje primeiro colocado. Em 2010, os mexicanos ficaram para trás e, ano passado, foram os argentinos. A China em 2011 teve alta de 46%, para US$ 544 milhões.
As compras pernambucanas de produtos chineses incluem 420 mil pneus para carros de passeio, a US$ 11 milhões. Mas o valor é quase o mesmo da soma de só nove caminhões-guindaste, que custaram US$ 5 milhões, e US$ 5,7 milhões em 34 aparelhos de tomografia computadorizada.
“Tem buginganga chinesa? Tem. Mas no princípio também tinha japonesa. Assim como o Japão, hoje a China está no mercado de produtos sofisticados, como automóveis”, diz o consultor econômico da Federação do Comércio de Pernambuco (Fecomércio), José Fernandes Menezes.
Assim como a Fecomércio, que já realizou três missões empresariais à China, a Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe) também promoverá uma viagem em grupo, em dois meses, ao país asiático. Coordenadora do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Fiepe, Patrícia Canuto afirma que não se trata de entusiasmo com os chineses e sim de não ignorar um grande jogador no tabuleiro.
“Não é questão de ser a favor. Mas eles estão no mundo todo e preocupam, por diversas coisas: práticas trabalhistas, eficiência, menor carga tributária”, enumera, entre outros pontos, Patrícia.
Eletros puxam vendas no varejo
O varejo pernambucano fechou o ano com um crescimento compatível com o verificado na média nacional. Entre 2010 e 2011, o incremento no volume de vendas foi de 6,7%, segundo balanço anual da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados revelam que a atividade que mais sobressaiu foi a de móveis e eletrodomésticos (com variação positiva de 27,2%), seguida de combustíveis lubrificantes (12,7%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (11,9%). Algumas áreas fecharam no negativo, como equipamento e material para escritório, informática e comunicação (-18,0%) e hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-2,8%).
Se contabilizadas as atividades de veículos e material de construção, no entanto, o índice de incremento no volume de vendas local cai para 5,9% – enquanto, na média nacional, fecha em 6,6%.
“A melhora nas vendas de móveis e utensílios domésticos vem a reboque do bom desempenho do setor imobiliário no Estado”, comenta o consultor da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio) de Pernambuco, Luiz Kehrle. “A diminuição, quando se incluem veículos e materiais de construção, não chega a ser preocupante, mostra apenas uma leve queda em relação a média do País”, complementa.
Para Kehrle, o setor vai bem de um modo geral. De acordo com um estudo coordenado por ele, o bom desempenho deve-se, nesta ordem, a causas como aumento da renda e do número de empregos, evolução do crédito, evolução do salário mínimo, crescimento das transferências socais e expectativas positivas.
BRASIL - Apesar dos bons números, os resultados do varejo ficam a desejar em relação aos resultados de 2010, quando o crescimento nacional fechou em 10,9%. Segundo o IBGE, as medidas de arrefecimento do consumo adotadas pelo governo no final de 2010 foram as grandes responsáveis por impactar as vendas no ano passado.
De acordo com o gerente de coordenação de serviços e comércio do IBGE, Reinaldo Pereira, a desaceleração é reflexo das chamadas medidas macroprudenciais. O objetivo do governo, à época, era manter a inflação o mais próximo possível do centro da meta. Pereira explicou que mesmo tendo o governo desfeito as medidas no segundo semestre de 2011, não houve tempo hábil para o comércio se recuperar. Em 2011, a receita nominal do setor apresentou crescimento de 11,5%.
Fonte: Jornal do Commercio - Economia 15/02/2012
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