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A inadimplência que preocupa
A inadimplência que preocupa
CONSUMO O atraso no pagamento das compras a prazo avançou 8,21% em maio, segundo a CNDL. Aumento foi maior entre os consumidores das classes C, D e E
Passados mais de seis meses desde que o governo começou a adotar medidas para restringir a oferta de crédito, os consumidores das classes C, D e E, que se tornaram o motor das vendas do comércio em todo o país, começam a perder o ímpeto de ir às compras. E o sinal mais visível é a inadimplência. Mais endividados e com os ganhos corroídos pela inflação, começam a atrasar as prestações. Em maio, a inadimplência medida pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) cresceu pelo quarto mês seguido, avançando 8,21% em relação ao mesmo mês de 2010. O maior crescimento no volume de atrasos está nos financiamentos com prestações baixas: 75,74% dos inadimplentes no mês passado tinham prestações atrasadas de até R$ 250, sendo que aqueles com parcelas de até R$ 50 representavam 32,67% do total, um salto em relação aos 24,97% de calote nesses contratos em janeiro.
Na visão do presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Júnior, os novos dados de inadimplência acenderam a luz amarela entre os lojistas. Isso indica que a população foi às compras porque o crédito era farto, assumiu compromissos além de sua capacidade de pagamento. Não é que o cliente seja mau pagador.
Com as prestações em atraso, o consumo fica para depois. Pesquisa nacional realizada pela Associação Comercial de São Paulo, também de maio, mostra que o índice de confiança da classe C caiu 6,5% e chegou aos 144 pontos, próximo da média do País, de 143 pontos. É a segunda vez este ano que o indicador dessa classe de renda se aproxima da média nacional, o que não ocorreu em 2010.
A classe C foi a mais afetada pelas medidas do Banco Central para encarecer o crédito, justamente porque depende mais dos parcelamentos para poder comprar, afirma Emílio Alfieri, economista da ACSP. Em Pernambuco, o cenário acompanha a tendência nacional. O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) do Recife, Eduardo Catão, reconhece que a inadimplência aumentou, todavia em menor proporção do que a média nacional. No Estado, o índice está em torno de 7%, argumenta Catão, reconhecendo que a tendência de queda também vem sendo sentida nas vendas. Estamos vendendo menos em relação ao mesmo período ano passado, afirma Catão.
O aumento na inadimplência está refletido, diariamente, nos atendimentos do Serviço de Proteção ao Crédito. A maioria das pessoas que procuram o órgão, o fazem para consultar as pendências financeiras, a exemplo do aposentado Severino Carneiro da Silva, que atrasou três faturas do cartão de crédito. Eu paguei uma em abril e agora estou esperando chegar a nova fatura para tentar quitar a minha dívida de R$ 208,00, afirma o aposentado.
Na mesma situação está a agente comunitária de saúde Vasti da Silva. Além de débitos no cartão de crédito, agravados no período em que ficou desempregada, também está comprometida com um empréstimo contraído pelo irmão, que não conseguiu pagar as parcelas. Eu me excedi nas compras, mas agora estou controlada para não levar mais sustos, confessa a agente comunitária.
O consultor da Fecomércio-PE, Luiz Kehrle, embora reconheça que o índice é alto, não acredita que o Brasil esteja vivendo uma crise sistêmica do crédito. Para ele, esse é um movimento de ajuste já esperado diante do acesso elástico ao crédito das classes C, D e E, analisa o consultor
Fonte: Jornal do Commercio - Caderno de Economia de 15 de junho de 2011
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