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Vamos às compras dos... xing lings?

China tem produtos simples com preços baixos, mas também vende artigos mais caros com qualidade

 

O destino conhecido pelos brasileiros como lugar ideal para a aquisição de roupas ou equipamentos eletrônicos chama-se Estados Unidos? Um engano. Dê um pulo até a China e conheça verdadeiramente o melhor lugar do mundo para as compras. Detalhe: compras de tudo. O país dos xing lings abre as portas e começa a exportar para o mundo. Há quem queira produto simples com preço baixo, e também quem esteja disposto a pagar até mais caro por qualidade. A China tem. As duas coisas.

 

Quem tiver oportunidade de viajar ao país chinês pode achar que vai encontrar algo semelhante à Rua 25 de Março (em São Paulo) em véspera de Natal. Um amontoado de gente atrás de produtos baratos, de má qualidade e até falsificados. Acertou sobre o amontoado de gente. No país mais populoso do mundo, com 1,3 bilhão de habitantes, não poderia ser diferente. Mas no tocante aos produtos, pode ter certeza, não são apenas bugigangas que serão encontradas nos centros comerciais. A China cresceu, mudou e começa a fabricar e vender exatamente o que o público quer.

 

De acordo com Antonio Freitas, do setor econômico da embaixada brasileira em Pequim, o governo chinês espera manter o crescimento do país em, no máximo, 8%, enquanto analistas alertam para uma desaceleração maior a partir de 2013. “O país começa a perder impulso devido ao excesso de crédito que financia investimentos em infraestrutura, mercado imobiliário e capacidade industrial de retorno duvidoso, o que poderá impactar as finanças do país”, destaca o diplomata, lembrando ainda da dificuldade de exportação devido à crise econômica mundial. “No entanto, a China ainda se encontra na metade do processo de urbanização, tem enorme potencial de crescimento. O país é o centro da cadeia produtiva asiática. Os chineses importam do Japão, Coreia do Sul, Taiwan, montam, agregam valor e exportam para Europa e EUA”, afirma.

Um exemplo da exigência de melhor qualidade sobre o produto chinês está aqui mesmo, no Brasil. No início deste ano, o Ministério da Fazenda autorizou o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) a fiscalizar na aduana os produtos que entram no país, o que só poderia ser feito com mercadorias que já estavam aqui. A iniciativa visa o combate à importação de produtos que prejudicam a indústria brasileira, e o Brasil agora pode barrar os xing lings que fogem às especificações técnicas e de baixa qualidade.

Os chineses entenderam. Aliás, eles perceberam que é preciso fazer mais do que imitações. É preciso substituir o plástico pelo metal, o acrílico pelo vidro, o sintético pelo couro. E é isso que o turista também vai encontrar no comércio. Roupas, sapatos, sedas, bolsas, eletrônicos, antiguidades. O comércio chinês tem de tudo. Em todos os lugares. Mas, embora os preços, quase sempre, sejam inferiores aos aplicados no Brasil e em diversos outros mercados, é preciso saber onde procurar, para não cair enganado em falsificações ou até pagar caro. E vale a dica na hora de sair às compras: carregar dinheiro vivo – muitas lojas não aceitam cartão – e pechinchar, pechinchar e pechinchar.

Os asiáticos de olhos puxados são agressivos nos descontos. Exceto nas lojas de shoppings e grandes centros comerciais, nada é exatamente o preço que se pede. Corrijo: pode tirar o “exatamente”. Nada é nem perto do valor cobrado. No vuco vuco de cidades como Xangai, Pequim, Cantão ou Hong Kong, o vendedor irá pedir um determinado valor pelo produto. Pode oferecer menos. Bem menos. Pode ameaçar ir embora e não levar a mercadoria. O ambulante, muitas vezes, fará questão de vender pelo preço que você sugeriu.

 

É da China, e daí?

 

O turista que viaja ao país chinês pode trazer o melhor equipamento de som, mas se disser onde comprou... A discriminação com as bugigangas chinesas é antiga. O mesmo turista pode adquirir uma bolsa Louis Vuitton original – e isso não é barato nem na China – mas certamente os amigos apostarão que o produto não durará muito tempo. Bem, as coisas mudaram.

É no comércio chinês que se encontram bons casacos por R$ 50, camisas por R$ 10, calças, bermudas e vestidos no valor de R$ 40. E nada a desejar em relação aos shoppings brasileiros. No entanto, aqueles que procuram por marca internacional terão de gastar a sola do sapato para encontrar algo mais em conta. Os principais nomes em eletrônicos, com Sony, Nikon, HP, Dell, LG, Samsung e Nintendo, têm fábricas na Ásia, mas, estrategicamente, as vendas não são feitas de lá. Acaba sendo mais barato comprar esses produtos nos EUA.

“É nessa hora que entra o produto verdadeiramente chinês”, diz o chefe do setor de Promoção Comercial e de Investimentos da embaixada brasileira em Pequim, André Saboya Martins, que revela: “Os chineses desenvolveram equipamentos em nível para competir com marcas consagradas, e bem mais baratos”. De fato, há boas máquinas fotográficas por cerca de R$ 80, filmadoras no valor de R$ 90 a R$ 120, pen drives, MP3, MP4 e uma infinidade de produtos mais baratos com marcas em mandarim.

Sem medo de gastar a sola, é possível encontrar um computador Mac ou um iPad por metade do preço praticado no Brasil, mas se a busca é por “genéricos”, pode entrar na primeira loja e conferir valores absurdamente mais baixos. Mas, atenção, é preciso distinguir o que realmente tem qualidade e o que não vai durar uma semana. Neste caso, é necessário conhecer o produto, ter referência das lojas e – não custa nada – pedir para testar.

 

Por que eles são tão baratos?

A China é um país com 1,3 bilhão de habitantes. Sim, a informação pode ser repetida para quem já leu a matéria anterior, mas a verdade é que o número populacional bem explica o preço baixo dos produtos no país oriental. A mão-de-obra é abundante, a maior do mundo, e os salários são baixos. Junta-se a isso uma indústria ativa e competitiva. Ou seja, os chineses podem produzir qualquer coisa. E isso vai sair barato.

Faça um teste e verifique o país de fabricação do mouse de seu computador. Não se surpreenda, quase tudo é feito na China. No mundo, esses produtos representam pelo menos 30% dos aparelhos de televisão, 75% dos brinquedos e quase 99% das camisetas. Mas além do custo baixo da mão de obra, há outros fatores que favorecem a forte presença dos made in China no planeta. A desvalorização artificial do yuan (moeda chinesa) possibilitou preços mais baixos para as mercadorias exportadas. Segundo o economista Li Yong, da província de Guangzhou, as taxas de juros são muito baixas e o câmbio, depreciado. “A produção aqui tem uma escala gigantesca, além de tecnologias boas e salários ainda baixos”, revela.

Apesar da melhora na renda dos trabalhadores nos últimos anos – o salário mínimo subiu de 14% a 21% nas cinco maiores províncias de fabricação do país – o valor ainda equivale a R$ 4,93 por hora, enquanto nos EUA, a média é de R$ 35,50. É assim que a China sabe produzir e despertar o interesse do mundo. Segundo o diplomata André Saboya Martins, da embaixada brasileira em Pequim, todos os dias chegam solicitações de visto para entrada no país. Turismo? Não. “Mais da metade é de estrangeiros em busca de negócios com os chineses”, diz.

 

*A repórter viajou a convite da Fecomércio.

 

Fonte: Diario de Pernambuco - Economia

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