O banheiro e a malhação
Decidi voltar a malhar. Nunca achei que essa decisão fosse tomada entre as ruas de Xangai ou Cantão, onde de fato aconteceu. E foi num momento dos mais inusitados. Para quem nunca teve oportunidade de vir à China ou nunca procurou saber como são os banheiros públicos daqui, é de fato uma surpresa. As louças sanitárias são feitas para ficarem praticamente no mesmo nível do chão, com o usuário tendo que ficar de cócoras para fazer o que precisa ser feito. E foi ali, depois de andar pelas ruas e acumular muito xixi que percebi que até nessa hora a gente sente o quanto é ruim estar fora de forma.
Vendo aquela louça no chão e desconfiando de sua limpeza, a ideia era ficar próxima o suficiente para não errar e distante o necessário para evitar qualquer contato. Aí, pronto! Sabe aquela leve tremedeira que dá na perna quando você fica tensionando por algum tempo e sua musculatura não tem resistência para isso? Foi o que aconteceu. Juro, era só um xixi mais longo. Coitado de quem comeu um pato estragado ou um cachorro meio passado. Aí, é problema. Meu chefe Saulo Moreira, que esteve aqui na China no ano passado, já havia me falado desse “modelo” de banheiro – que, aliás, tem descarga como qualquer outro. Mas mesmo já sendo avisada, se deparar com ele é algo engraçado. A ideia dos orientais é manter o usuário menos tempo possível no banheiro com base no argumento de que ficar sentado por muito tempo faz mal. E funciona. Até agora, não vi uma fila nos banheiros. Todo mundo entra e sai bem rapidinho.
É uma situação aparentemente boba, mas que nos faz lembrar que há uma cultura completamente diferente – mesmo depois de 30 anos de abertura de mercado e tudo que isso impôs a China.
Fonte: Blog - No País do Xing Ling (http://jconlineblogs.ne10.uol.com.br/nopaisdoxingling/)

