Haja desconto
Sempre achei que sabia negociar preço. Um desconto aqui, outro ali, mas no Brasil quase nunca se consegue algo além dos 10%. Na China, negociar a compra de qualquer item é um jogo de resistência e blefe às avessas ao mesmo tempo. O vendedor finge que o produto vale muito e a gente que tem menos dinheiro na carteira do que de fato tem. Em Xangai, a moda é vender um tipo diferente de patins, com duas rodas e um sistema de encaixe para ser usado na altura do calcanhar. A peça, de um plástico duro, só deve resistir a poucas voltas de uso. O preço inicial: 150 RMBs (ou iuanes) – a moeda local. Fazendo a conversão com cada real valendo o equivalente a 3,18 iuanes, chegamos ao custo de R$ 37,73. E foi dada a largada. Ofereço 50 iuanes e logo levo uma bronca de um colega de viagem que estava ao meu lado. Terceira vez na China, Edson Carvalho ensina. “É 10% do valor”. A vendedora faz uma cara meio sorrindo meio séria e diz, em um inglês quase incompreensível: “80”. Opa, em questão de segundos o produto sai de 150 para 80! Segue a negociação. Apesar de puxarmos o preço para baixo, é ela quem nos segue. Qualquer sinal de interesse e eles colam na pessoa de uma forma quase insuportável. Vão atrás da pessoa por metros ao longo da rua. A cada passo o preço cai. No final da negociação, o produto, inicialmente estipulado em 150 iuanes, sai por 25. Cai de R$ 37 para R$ 7. Uma vez na China, e nunca confie no preço da “etiqueta”.
Fonte: Blog - No País do Xing Ling (http://jconlineblogs.ne10.uol.com.br/nopaisdoxingling/)

