Viagem à China gera saia justa
Durante a sessão de ontem, na Assembleia Legislativa, teve deputado que respirou mais fundo e prendeu o riso. Teve até deputado que filmou a cena. O que era para ser apenas uma prestação de contas dos legisladores que viajaram à China, em missão comercial, no mês passado, resultou numa saia justa para o deputado Vinícius Labanca (PSB). Motivo: embaraço para responder aos questionamentos dos colegas sobre o que foi visto na visita ao país. “Todos sabemos do desenvolvimento e do crescimento da China, mas com relação ao regime. Hoje existe democracia?”, questiou Maviael Cavalcanti (DEM), após relatar as impressões que teve em visita semelhante ao país, em 1992.
Labanca começou a resposta falando da infraestrutura “invejável” da China para em seguida, completar: “A democracia não é total, mas muita coisa vem mudando. Hoje é importante dizer, eles têm internet (….) A China é um país muito grande. Tem cidades mais desenvolvidas que outras (…) Há vinte anos eles andavam de bicicleta, hoje andam de carro”, proferiu. Resposta que não satisfez o democrata.
Cavalcanti, que já havia sentado, voltou ao microfone. “Queria saber somente se o senhor, como socialista, acha o regime da China democrático.” Silêncio no plenário. Sem querer se alongar, Labanca preferiu dizer apenas que o país tinha o direito de ter o regime que quisesse. Mal acabou de respirar, veio Tony Gel (DEM), que também esteve na China em 1992, divagar sobre a história do país antes de questioná-lo dos riscos de se sofrer com medidas imperialista em contratos comerciais das futuras gerações chinesas. “Desde que o mundo é mundo, sempre teve impérios”, respondeu Labanca, falando que caberia ao Brasil se impor.
Nenhum dos outros cinco deputados que participaram da missão pediu aparte para “ajudar” o colega. Minutos antes, os também socialistas Diogo Morais e João Fernando Coutinho haviam sido citados por Labanca, que destacou a “importante participação” deles em “todos os eventos”, momento em que eles tomaram a palavra. “Aquele país serviu de exemplo para nós”, disse Coutinho.
Conforme matéria veiculada pelo Diario, entretanto, os dois deputados levaram falta no único evento oficial que deveria ter a presença dos representantes do governo pernambucano. Em resposta, a Assessoria da Assembleia justificou a ausência afirmando que Coutinho teve uma infecção intestinal e Morais prestou assistência a ele. A missão foi provida pela Fecomércio-PE. Seis deputados viajaram. Eles passaram 20 dias na China ao custo de R$ 18 mil cada, pagos pela Casa.
Fonte: Diario de Pernambuco - Política

