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A China é o país do Déjà Vu

ESTILO Caminhar pelo comércio chinês faz o consumidor ficar com a impressão de que já viu aquela loja em algum outro lugar

 

HONG KONG – Conhecidos mundialmente por copiarem marcas famosas e venderem pelas ruas sem o menor pudor, os chineses agora resolveram usar uma certa criatividade. Mas não foram muito longe. Circular pelo comércio das cidades da China, sobretudo o de consumo mais popular, faz o consumidor ficar com a impressão de que já viu aquela loja em algum lugar, mas não era exatamente daquela forma. Trocando algumas letras, Tommy Hilfiger vira Tommy Welai. As cores (branco, azul e vermelho) – características da marca irlandesa – são copiadas sem qualquer preocupação com o nome original.

 

Acredita-se que assim é mais fácil ganhar o consumidor. Ainda mais o chinês que, com a abertura do mercado, demonstra disposição para o consumo, mas quer o que o mundo consome e não exatamente o que eles próprios produzem, embora o varejo tenha suas marcas locais. Em 2010, a China encerrou o período de crescimento de 10,2% do Produto Interno Bruto (PIB). A economia mudou suas regras há 30 anos, mãos foi há 10 anos que o povo começou a sentir efetivamente os efeitos disso sobre sua renda e a forma de consumir. Foi também nesse período que grandes redes como McDonald’s começaram a chegar.

 

Na Tommy Welai uma camiseta para homem estava estimada entre 40 e 50 iuanes (equivalente a R$ 15,72). Na Tommy Hilfiger, é preciso ter ao menos R$ 100 na carteira para sair com algum produto.

 

Na Najing Road, uma rua de comércio que terminou se tornando ponto turístico em Xangai, a marca Cartelo tem algumas lojas. Analisando apenas o nome, nada parece familiar. Mas não é o nome que fica estampado no letreiro dos pontos comerciais. É um jacaré igual ao da mundialmente famosa Lacoste. A diferença é que enquanto o réptil original olha para a direita, o da Cartelo resolveu mirar em outro ponto e olhar para a esquerda. A cor verde do jacaré também foi escolhida pela Cartelo que posiciona em suas roupas o mascote exatamente no mesmo lugar escolhido em 1933 pela Lacoste.

 

Na China, Giorgio Armani também resolver aparecer nas ruas com preços mais convidativos. Lá, a marca deu lugar a Amarone. Mas o visual branco e preto com ar mais sóbrio se manteve. É o jeito chinês de produzir, gastando pouca criatividade para ganhar mercado mais rápido. Com uma população de 1,3  bilhão de pessoas – mesmo com um severo controle de natalidade –, a China tirou 500 milhões de pessoas da linha de pobreza nos últimos anos.

 

CAFÉ – Parar nos arredores da praça Shang Xia jiu Bu Xing Jie, no centro de comércio popular de Cantão, e ter a impressão de estar tomando um café na Starbucks também é possível. Com as mesmas idéias da rede americana de café, o programador visual da Coffee Tao conseguiu fazer essa loja se destacar em meio ao tumultuado comércio. Até o copo que serve o produto para viagem tem o mesmo padrão. É o jeito chinês de se inserir na economia usando, acima de tudo, o famoso ditado: “Nada se cria, tudo se copia”.

 

A repórter viajou a convite da Fecomércio.

 

Fonte: Jornal do Commercio - Economia

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