China // País vai lutar agora contra a inflação

PEQUIM - O embaixador do Brasil na China, Clodoaldo Hugueney, disse ontem que a economia chinesa deve passar por um período acidentado nos próximos anos, motivado pela alta constante de preços e a perda de uma demanda externa por conta das crises na Europa e nos Estados Unidos. Depois da abertura da economia, a China conseguiu tirar da linha de pobreza cerca de 500 milhões de pessoas. Esse impulso gerou um público consumidor, mas também pressionou os preços ao longo dos anos, gerando a temida inflação. Em setembro, o indicador chinês de alta de custo ficou em 6,5% em relação ao mesmo mês do ano passado.
A declaração foi dada durante encontro entre o embaixador e a comitiva pernambucana da missão deste ano da Fecomércio cujo destino foi a China. Hugueney aproveitou a presença dos brasileiros para traçar um panorama sobre o mercado gerado na China para empresários do Brasil. “A China é um dos maiores consumidores de carne suína. Estamos negociando para colocar o produto brasileiro aqui. Já estamos exportando carne e frango. Mas os constantes aumentos da carne suína local podem abrir para o Brasil a oportunidade de entrar”, estimou. Hoje, 85% das exportações do Brasil para a China estão baseadas em três itens: minério de ferro, soja e petróleo.
Para reforçar a tese da possível desaceleração da economia chinesa, Hugueney lembrou que os efeitos causados pelo nível de investimento da China sobre o crescimento de seu Produto Interno Bruto (PIB) têm desacelerado. Sobre a possibilidade de um maior exportação do Brasil para a China, o embaixador destacou setores como o de fruticultura - onde entraria, inclusive, Pernambuco com o Vale do São Francisco - a área têxtil de moda, para poder competir por um público mais exigente que começa a surgir na China, e café com marca, ao contrário de exportar apenas o grão.
MONTADORAS - O embaixador deu a entender que o governo não pretende recuar nas medidas de proteção à indústria automotiva nacional. O governo anunciou recentemente uma elevação de 30 pontos percentuais sobre o valor do carro importado. O representante do Brasil que atua em Pequim afirmou que as indústrias que tinham a intenção de instalar montadora em terras brasileiras apenas para finalizar os itens no Brasil, importando grande parte das peças, agora devem usar o parque local e fugir da alta do imposto. A alteração causou muita chiadeira das chinesas que hoje elegeram o Brasil como um dos mercados preferenciais.
Fonte: Jornal do Commercio - Economia

