Tecnologia do tipo de exportação
Empresários do estado podem ter oportunidade de ingressar no mercado chinês, mas precisam conhecer o país asiático

Pequim (China) – Pernambuco pode ter um grande parceiro comercial no setor de tecnologia. Os interessados nessa conversa são os chineses, que, aliás, estão atentos ao Brasil em relação a diversos setores, como indústria manufatureira, agronegócios e confecção de alta qualidade. E isso Pernambuco tem. O que falta? Conhecimento em relação ao país asiático. É preciso entender o mercado chinês para identificar as oportunidades de investimento.
O grupo de empresários e políticos que integram a Missão Empresarial da Fecomércio-PE foi recebido ontem pelo embaixador do Brasil em Pequim, capital chinesa, Clodoaldo Hugueney, que relatou o histórico da economia do país e explanou sobre as potencialidades da China, identificando áreas de interesse para importação. “Cerca de 85% das exportações do Brasil para a China são minério de ferro, soja e petróleo. Mas este cenário está mudando. Os investimentos dos chineses hoje estão no setor industrial. Cresce a área de ciência e tecnologia, com espaço para programas de cooperação”, revela o embaixador, afirmando que a China deve investir em tecnologia para sustentar o ritmo acelerado de crescimento do país.
Neste aspecto, o Brasil se mostra como forte candidato a parceiro comercial. O país cresceu, gerando possibilidades de internacionalização de parcerias em vários setores da economia. Um deles é o de tecnologia da informação. Paulo Cunha, diretor, e Edson Carvalho, coordenador de mestrado do Centro de Informática da UFPE (CIn), concordam que as duas nações vivenciam momento semelhante na perspectiva de criarem novas TICs de propriedade intelectual própria para ganhar mercados internacionais. O faturamento do mercado mundial deste setor é de US$ 1,5 trilhão. Este ano, o mesmo mercado na China estima faturar US$ 103,6 bilhões, enquanto no mercado brasileiro a expectativa de faturamento é de US$ 47,8 bilhões.
A parceria é pertinente, uma vez que a China conta com um avançado setor de microeletrônica, enquanto o Brasil fica no desenvolvimento de software. Este ano, a balança comercial do Brasil do setor de TIC deve apresentar um déficit de R$ 19 bilhões, com a importação de semicondutores, componentes e dispositivos eletrônicos. “Uma parceria com os chineses reduziria este déficit com transferência de tecnologia para a criação de uma indústria nacional de semicondutores”, constatou Cunha. De acordo com Hugueney, o Brasil tem muito a oferecer quando o assunto é tecnologia.
Fonte: Diario de Pernambuco – Economia

