Quem tem medo da unha preta?
Diferença cultural é algo que encanta e assusta ao mesmo tempo. Aos poucos, a gente vai se acostumando e entendendo a razão de cada coisa estar onde está. Mas até chegar nesse ponto, sem querer e até de forma inconsciente, a gente termina tendo preconceitos. Durante a rodada de negócios promovida pela Fecomércio, vários empresários e representantes comerciais chineses foram ao encontro dos comerciantes brasileiros para vender seus produtos. Por alguns minutos, consegui a ajuda de uma valiosa intérprete e me aproximei de alguns empresários e funcionários chineses para conversar um pouco. Depois de um tempo, surge um convite. “Ele está perguntando se você quer conhecer a fábrica (de bomba de água) dele”. Eu, claro, me animei toda. Mas teria que ir sem intérprete. A missão já tinha programação pré-agendada. Naquele momento, eu tinha poucas horas de China e realmente fiquei em dúvida se já era hora de entrar num táxi com um endereço em ideograma na mão e seguir meu rumo por terras chinesas. Resolvo não ir e pedi para a intérprete agradecer o convite. Explicar que eu estava sem infraestrutura (carro e tradutor) para fazer a visita. “Ele disse que pode mandar um carro buscar você”, foi a resposta.
Por alguns segundos fico pensando se aceito entrar num carro e pegar a estrada seja lá para onde for. Foi naquele momento que o preconceito falou. Baixinho e magrinho como a maioria dos chineses, o vice-presidente da empresa resolveu escolher uma das unhas para deixar crescer livremente. Suja, ela era grande mesmo. Seus dentes eram igualmente pretos e ele se portava de um jeito estranho (pelo menos para mim). Falava alto, parecia uma discussão para os nossos padrões quando respondia às perguntas. Alguns dias depois, percebo que unha grande e preta é tão comum na China quanto arroz. E eu, vestida do meu preconceito inicial, deixei de fazer esse “passeio” por uma fábrica. Quanto aos dentes pretos que muitos deles têm, é realmente falta de cuidado. E a unha…bom, a unha é vista do taxista ao empresário. Sem separação de classe.
Fonte: Blog No País do Xing Ling (http://jconlineblogs.ne10.uol.com.br/nopaisdoxingling/)

