Convênio para atrair chineses
Acordo é defendido como forma de reduzir burocracia e peso dos tributos, que travam comércio bilateral

Cantão - A China quer aumentar a relação comercial com o Brasil, mas as negociações esbarram em dois obstáculos: burocracia e tributos. O Conselho de Promoção do Comércio Internacional de Cantão (CCPIT) defende o estabelecimento de um convênio entre os dois países, garantindo desoneração de impostos e permitindo que o produto chinês tenha melhor acesso ao mercado brasileiro.
Ontem, durante a missão empresarial da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Pernambuco (Fecomércio-PE) no país, o presidente da entidade pernambucana, Josias de Albuquerque, foi recebido pelo presidente do CCPIT, Chen Yen Jie, que demonstrou preocupação com o desequilíbrio da balança comercial envolvendo Brasil e China. “Nos últimos anos, a movimentação entre ambos foi de US$ 560 bilhões. A meta para este ano é chegar a US$ 70 bilhões. Nós exportamos para o Brasil muito mais do que importamos, mas o valor das nossas importações é mais elevado. É preciso equilibrar essa conta”, critica Chen Yen Jie.
O presidente do CCPIT garantiu que o interesse do país asiático no Brasil pode ir além das commodities. “Consumimos o vinho pernambucano em Cantão, por exemplo”, contou, referindo-se ao Vale de São Francisco. No entanto, a carga tributária e a burocracia tornam-se onerosos para os negócios. “Precisamos pensar em um convênio que possa garantir a redução de tributos para as exportações dos nossos produtos para o Brasil. Nos últimos anos, os impostos para os brinquedos, por exemplo, saltaram de 20% para 35%, ampliando o custo do produto”, afirmou. Chen disse ainda que o Brasil exige licença de pelo menos 81 produtos chineses, para proteção da indústria local, que inclui brinquedos e também pneus e tecidos.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), o Brasil exportou cerca de US$ 33 bilhões para o país entre janeiro e setembro, enquanto as importações somaram US$ 24,1 bilhões no período. Dentre os principais produtos transportados para solo brasileiro estão eletrônicos e roupas, enquanto os chineses levam do Brasil sobretudo commodities, a exemplo de minério de ferro, derivados de petróleo e alimentos.
Chen Yen Jie afirmou que ainda há bastante espaço para expandir a relação entre o Brasil e a China, e se comprometeu a prospectar grandes empresários de Cantão, província de Guangzhou, para fazer negócios com Pernambuco. “Para se ter uma ideia da importância da nossa região, cerca de 40% do que os EUA importam da China saem de Cantão”, ressaltou.
Para o prefeito de Condado, Zona da Mata Norte do estado, Edberto Quental, que representou os prefeitos no evento, a desoneração dos impostos é pertinente. “Oferecemos a matéria-prima para os chineses produzirem e depois eles nos vendem seus produtos. É preciso que eles importem produtos de outros segmentos.”
Condado realiza consultoria
Cantão - Empresários de Condado, na Zona da Mata Norte do estado, poderão fazer negócios com o país asiático sem sair do Brasil. A prefeitura do município participa da Canton Fair, maior feira internacional e importação e exportação, que acontece em Cantão, na China, onde prospecta possíveis investimentos e capta informações para interessados em negociar com os chineses.
Segundo o prefeito Edberto Quental, trata-se de uma espécie de consultoria que o órgão está fazendo, não com o objetivo de lucro, mas de fomentar a economia da cidade. “Ainda existe um forte preconceito com o produto chinês, mas estamos conhecendo o mercado e percebendo a organização e o profissionalismo deles. Só precisamos escolher as empresas certas para os investidores certos em Pernambuco.”
Além do trabalho de prospecção, a prefeitura ainda garante incentivos, a exemplo da disponibilidade de galpão para abertura de novas empresas. “Estamos buscando oportunidades para repassar aos empresários pernambucanos, mas mostramos a Zona da Mata Norte como novo centro de negócios no estado”, completou o prefeito.
Fonte: Diario de Pernambuco - Economia

