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Negócios de TIC entre o Brasil e a China

 

 

Os avanços econômicos alcançados pelo Brasil têm gerado grandes oportunidades para a internacionalização de parcerias em diversos setores da economia brasileira. Em especial, destacam-se os setores intensivos em tecnologias. Hoje, o domínio de tecnologias de uma região, em geral, é a forma mais apropriada para expressar o estado de desenvolvimento de um país.

 

Em recente reunião realizada no Palácio do Itamaraty em Brasília, governantes, empresários e pesquisadores representantes do setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) da China e do Brasil debateram possibilidades de desenvolvimento bilateral desta indústria entre os seus países.

 

Respeitando as diferenças socioeconômicas entre ambos, as duas nações presenciam um momento semelhante na perspectiva de criarem novas TICs de propriedade intelectual própria para ganhar mercados internacionais.  O Brasil e a China consideram a ciência e a tecnologia como um eixo do desenvolvimento econômico e acreditam na relevância dos seus mercados interno e externo das TICs. O mercado mundial deste setor fatura cerca de US$ 1,5 trilhão. O mesmo mercado na China, em 2011, possui uma expectativa de faturamento de US$ 103, 6 bilhões, enquanto no mercado brasileiro espera-se um valor da ordem de US$ 47,8 bilhões.

 

A China possui um setor de microeletrônica muito avançado. Já o Brasil tem acreditado mais no seu desenvolvimento na área de software.  Esta complementaridade entre as competências dos dois países pode facilitar a cooperação e geração de ganhos bilaterais. Por exemplo, a balança comercial do Brasil do setor de TIC deve apresentar em 2011 um déficit de RS$ 19 bilhões provenientes da importação de semicondutores, componentes e dispositivos eletrônicos. Uma parceria mais intensa com a China poderia reduzir este déficit com transferência de tecnologia para a criação de uma indústria nacional de semicondutores.

 

Os destaques no mundo da inovação tecnológica no setor de TIC que despertam a atenção da indústria de ambos os países são: computação em nuvem, convergência de mídias, computação verde, internet das coisas, computação móvel, TV inteligente e cartões inteligentes. Outra discussão importante levantada pela China é a adoção do padrão tecnológico Time Division-Long Term Evolution (TD-LTE) por parte do governo brasileiro para a próxima geração de telecomunicações e internet 4G. O padrão TD-LTE é a aposta chinesa para ganhar o mercado mundial onde algumas de suas grandes empresas como a Huawei, ZTE, Datang já partiram na frente no domínio desta tecnologia. Os chineses convidaram os brasileiros para entrarem neste novo padrão e juntos ganharem os mercados internacionais.

 

Dentro da perspectiva de maior competitividade brasileira através da indústria de software, o Brasil convida a China para definir parcerias para o desenvolvimento de software para computação móvel, sistemas embarcados críticos, e-gov, aplicativos em geral e jogos eletrônicos. Outro tema interessante discutido neste encontro foi o de TV inteligente. O conceito de TV inteligente é uma segunda geração da TV digital que possui funcionalidades de interatividade e processamentos ditos inteligentes. A empresa chinesa HIsense  que estava presente na reunião expôs seus avanços neste tema abordando pequenos e grandes formatos.

 

A diferença dos modelos apresentados para a alavancagem da indústria de TIC no Brasil e na China é notória. O Brasil foca seu esforço no desenvolvimento de softwares para serviços públicos, no desenvolvimento de software livre, nos incentivos a pesquisa científica e inovação tecnológica em alto nível, no apoio às pequenas empresas de base tecnológica, nos incentivos fiscais e na formação de pessoal de alto nível para trabalhar principalmente nas universidades. No entanto, investe pouco na cultura de propriedade intelectual.

 

A China estrutura sua política no desenvolvimento da indústria de TIC, com aplicações em escalas globais, competitividade na indústria, criação de alianças empresariais para a liderança na área de tecnologia, no suporte ao desenvolvimento regional baseado em TIC , no aproveitamento da compra governamental  para o fortalecimento de cadeias produtivas, na  promoção da inovação tecnológica,  na internacionalização de mão-de-obra,  na computação verde e na aplicação de TIC para modernizar outros setores de sua economia.

 

Analisando o discurso entre os principais participantes dos dois países, observa-se que a China mostra-se mais preparada que o Brasil para buscar e ativar os mercados internacionais. O país está maduro para falar de negócios, ou seja, vender seus produtos e serviços para todo mundo.  Já o Brasil se destaca como maior investidor em pesquisas científicas através do fortalecimento dos institutos de pesquisas, em desenvolvimento de softwares para serviços e na valorização do seu mercado interno.  Ainda não se sabe se vão existir frutos desse encontro, mas que há um grande potencial de cooperação e interesse em comum entre os dois países já é certo. Agora é esperar o tempo necessário para o amadurecimento das ideias propostas e aguardar os benefícios que esta aliança pode trazer para ambos no futuro.

 

Edson Carvalho ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ) e Paulo Cunha ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ), professores do Centro de Informática (CIn) da UFPE


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